Aula KFM 56
Meditação marcial:
A dor é temporária; a estrutura permanece
"E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havermos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça."
(1 Pedro 5:10 - Bíblia Sagrada)
Rigidez no Tui Shou e Chi Sao
O primeiro ponto é compreender que a dureza raramente é apenas um problema técnico; muitas vezes é uma estratégia inconsciente de segurança.
No treinamento interno existe uma observação interessante:
Quando o corpo não confia na própria estabilidade, ele cria tensão.
Quando o aluno tenta criar estabilidade pela força muscular em vez de criar estabilidade pelo alinhamento corporal.
Quem sente os pés frágeis, doloridos ou sujeitos a cãibras tende a:
Prender os dedos dos pés no chão.
Contrair, excessivamente as pernas,
Elevar a tensão dos quadris,
Endurecer braços e ombros.
O resultado é um Tui Shou e Chi Sao "travado".
Nesse caso é momento de voltar aos primeiros princípios do treino para acabar com a tensão excessiva dos músculos da panturrilha e planta dos pés.
"Calcanhar pesado"
Dicas de exercícios:
- Raiz viva, relaxando os dedos dos pés
- Passo marcial do Lian gong
- Soltar os dedos (abrir os dedos, movimentar e massagear a planta do pé)
Melhorando a propriocepção (capacidade que nosso corpo tem de perceber a posição e o movimento das partes corporais sem depender da visão) melhora suavidade em Tui Shou e Chi Sao.
Reduzir a preocupação com vencer
Ao invés de resistir
seu objetivo é sentir
"Não importa ganhar.
Não importa empurrar.
Não importa bloquear.
Somente sentir"
Respirar (não prender respiração)diminuir a velocidade.
Exercício de escuta
Durante alguns minutos:
Sem empurrões.
Sem ataques.
Sem projeções.
Apenas contato.
As mãos rolam suavemente.
O foco é perceber:
Direção da força.
Mudança de pressão.
Movimento do centro.
Isso desenvolve o que os chineses chamam de "Ting Jin" (energia de escuta).
Ting Jin
Trabalhar a respiração
Observe se ela prende a respiração.
Muitas pessoas endurecem exatamente no momento em que param de respirar naturalmente.
Um exercício simples:
Inspirar pelo nariz.
Expirar lentamente.
Manter o movimento contínuo das mãos.
Quanto mais regular a respiração, mais difícil fica endurecer.
Diminuir a velocidade
Um erro comum é praticar rápido demais.
Para um praticante jovem, determinada velocidade pode parecer lenta.
Para uma pessoa de 70 anos, pode ser rápida.
Reduza a velocidade até o ponto em que ela consiga:
Relaxar os ombros.
Relaxar os pés.
Respirar normalmente.
Perceber o parceiro.
Não confundir alopração com velocidade, a velocidade correta é aquela que permite consciência.
No KFM, trabalhamos a seguinte sequência:
Soltar pés e tornozelos.
Melhorar equilíbrio e transferência de peso.
Desenvolver respiração natural.
Praticar Tui Shou sem objetivo competitivo.
Treinar sensibilidade antes da aplicação marcial.
Com o tempo, o aluno perceberá que não precisa "ser forte" para permanecer estável.
A verdadeira suavidade não é ausência de estrutura. É a capacidade de manter a estrutura sem tensão desnecessária.
Quando os pés aprendem a confiar no chão, as pernas relaxam. Quando as pernas relaxam, os quadris soltam. Quando os quadris soltam, os ombros deixam de lutar. E então o Tui Shou passa a fluir naturalmente, como uma conversa entre dois corpos em movimento.
Mas você sabe perfeitamente quem tem que ser enquanto avança.
Haverá nevoeiro.
Haverá cansaço.
Haverá dias em que o progresso não será notado.
E mesmo assim continuas a andar.
Porque você já entendeu que nem todo avanço é visível,
Mas todos os avanços contam.
Este ano não é sobre chegar rápido.
É sobre não parar quando ninguém está assistindo.
Passo firme.
Olhar em frente.
O que você constrói agora...
Ele vai apanhar-te mais tarde.
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