quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

KFM31

Aula KFM 31
Meditação Marcial:
Excelência abre portas. Competência real gera respeito silencioso.

Está escrito na Bíblia Sagrada:
"Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior."
(Provérbios 22:29)


Eixo Central da Prática
Há um ponto importante a ser ajustado logo no início: não se trata de “melhor” ou “pior”, mas de propósitos distintos que geram metodologias diferentes. Quando isso fica claro, a comparação deixa de ser um conflito e passa a ser compreensão estratégica.
Tenho um relacionamento próximo com diversos mestres e, sem a necessidade de estabelecer julgamentos, percebo com nitidez uma diferença essencial na forma como conduzimos o ensino.
No meu trabalho, as práticas de Tai Chi Chuan, Wing Chun e Qi-gong são estruturadas com um objetivo claro: promover saúde funcional e desenvolver eficácia real em combate. Cada exercício, cada forma e cada princípio são direcionados para que o praticante seja capaz de preservar o corpo, fortalecer a mente e responder com eficiência em situações concretas.
Por outro lado, muitos colegas seguem uma linha mais ampla e tradicional, com forte aprofundamento na Medicina Tradicional Chinesa, acupuntura, estudos culturais orientais, astrologia, uso de elementos naturais como pedras, além de fundamentos do Taoismo e do Budismo. Trata-se de um universo rico, porém com uma ênfase distinta, muitas vezes mais voltada ao campo terapêutico, filosófico e espiritual do que à aplicação marcial direta.
Explicação aprofundada na perspectiva KFM:
O que está em jogo aqui é o eixo central da prática.
Em uma abordagem, o eixo é vivencial e funcional: o corpo como ferramenta de sobrevivência, saúde e combate.
Na outra, o eixo é cultural e integrativo: o corpo como veículo de compreensão energética, filosófica e terapêutica.
No Sistema Kung Fu Misto, a proposta é destilar a essência.
Não se rejeita o conhecimento tradicional — ele é respeitado —, mas passa por um filtro rigoroso:
“Isso fortalece o praticante para viver melhor e responder melhor sob চাপ (pressão) real?”
Se a resposta for sim, permanece.
Se não, torna-se secundário.
Essa diferença cria dois caminhos legítimos:
Um caminho que expande o universo interno e cultural do praticante.
Outro que condensa o conhecimento em eficiência prática e aplicável.
O KFM se posiciona como uma ponte, mas com os pés firmes na realidade:
menos simbologia, mais funcionalidade; menos abstração, mais resposta concreta.
No fim, não são caminhos opostos — são níveis diferentes de prioridade.
E quem compreende isso deixa de comparar… e passa a escolher com clareza.




"Tanto ao lutar quanto na vida cotidiana, você deve ser determinado, ainda que calmo.
Vá de encontro a sitiação sem tensão, mas tambem sem desleixo, com o espírito estável, mas sem prejulgamentos"
No Sistema Kung Fu Misto (KFM), essa orientação de Miyamoto Musashi não é apenas filosófica — ela é operacional.
Tanto no combate quanto na vida cotidiana, ser determinado e, ainda assim, calmo significa agir a partir do centro, não a partir do impulso. No KFM, ensinamos que a verdadeira prontidão não nasce da rigidez nem da pressa, mas do alinhamento entre mente, respiração e intenção. A determinação é o compromisso inegociável com a ação correta; a calma é o que impede essa ação de se tornar precipitada ou descontrolada.
Ir ao encontro da situação “sem tensão, mas também sem desleixo” descreve exatamente o estado funcional que buscamos no treino marcial:
Sem tensão, porque o corpo rígido reage mal, consome energia desnecessária e perde sensibilidade.
Sem desleixo, porque a falta de presença abre brechas, tanto no combate físico quanto nas decisões da vida.
No KFM, chamamos isso de estado de prontidão consciente. O corpo está solto, porém estruturado. A mente está alerta, porém silenciosa. Não há antecipação ansiosa nem passividade confortável. Há leitura do ambiente, economia de movimento e clareza de propósito.
Quando Musashi fala em agir “sem prejulgamentos”, ele aponta para um princípio essencial do combate real e da sobrevivência: ver a situação como ela é, não como gostaríamos que fosse. Prejulgamento gera atraso. Atraso gera erro. No treino KFM, o aluno aprende a sentir antes de reagir, a observar antes de decidir, a responder ao real e não às projeções do ego ou do medo.
Esse mesmo princípio se manifesta nos confrontos cotidianos. Uma palavra dura, uma frustração inesperada, uma provocação velada — tudo isso são “ataques” que testam o seu eixo interno. O praticante do KFM não se fecha em tensão emocional, nem se dissolve em indiferença. Ele sustenta o centro, regula a respiração, mantém a postura e responde com firmeza lúcida.
Em resumo, Musashi descreve o mesmo fundamento que o KFM cultiva:
sentir sem ser dominado, agir sem perder o centro, avançar sem violência interior.
Esse é o estado do guerreiro funcional — no tatame, na rua e na vida.

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