domingo, 20 de dezembro de 2020

KFM95

Aula KFM 95

Meditação marcial:

Como caminhar "vazio" antes de comprometer o peso: uma técnica fundamental do Tai Chi Chuan

Existe um movimento que quase passa despercebido aos olhos de quem observa de fora, mas que revela um dos princípios mais profundos do Tai Chi Chuan: o Passo do Gato (Mao Bu).

Longe de ser um gesto meramente estético, ele representa uma forma inteligente de caminhar, transformando completamente a relação entre o corpo, o equilíbrio e o solo.

Na caminhada comum, o pé avança e, quase simultaneamente, o peso do corpo é projetado sobre ele. É um movimento natural e eficiente, porém pressupõe que o terreno seja seguro. O corpo compromete seu equilíbrio antes mesmo de confirmar a estabilidade do apoio.

O Passo do Gato segue uma lógica diferente.

Primeiro, o pé avança de forma leve e relaxada, permanecendo praticamente "vazio", sem receber o peso do corpo. O calcanhar toca suavemente o solo, enquanto a ponta do pé permanece discretamente elevada. Esse contato inicial funciona como uma leitura silenciosa do terreno, permitindo verificar sua firmeza e segurança.

Somente após essa confirmação o peso é transferido, lenta e continuamente, até que o novo apoio se torne "cheio", enquanto a perna de trás se esvazia na mesma proporção. Não existe uma mudança brusca, mas uma transição contínua, fluida e consciente.

Nos clássicos do Tai Chi Chuan, esse conceito é conhecido como a alternância entre cheio (Shi) e vazio (Xu). Compreender essa diferença é essencial para desenvolver equilíbrio, estabilidade, mobilidade e sensibilidade corporal.

Sob a perspectiva marcial, o Passo do Gato oferece uma vantagem estratégica inestimável: enquanto o peso ainda não foi comprometido, é possível mudar de direção, interromper o movimento, recuar ou adaptar-se instantaneamente a qualquer alteração do ambiente. O praticante permanece livre para responder, em vez de ficar preso à própria movimentação.

No cotidiano, os benefícios também são evidentes. Esse padrão de deslocamento reduz impactos sobre tornozelos, joelhos e quadris, melhora o equilíbrio, aumenta a propriocepção e desenvolve uma consciência muito mais refinada da interação entre os pés e o solo. Embora seja um caminhar mais lento, é também muito mais seguro, eficiente e econômico.

O Passo do Gato ensina uma lição que ultrapassa a prática marcial.

Antes de colocar todo o peso em um novo caminho, primeiro estabeleça contato, avalie, encontre estabilidade e somente então avance.

No Tai Chi Chuan, como na vida, a verdadeira segurança nasce da consciência, e não da pressa.




Ressocialização de detentos através da disciplina pautada na prática do Tai Chi Chuan, Jeet Kune Do, Wing Chun, Kali e Arquearia
Conteúdo programático inclui treino interno da Palma de Ferro do Kung Fu, combate em todas as distâncias, no solo, estrangulamentos, torções e quebramentos, luta com facas e armas improvisadas e confecção de armamentos e explosivos com material improvisado.
A prática de modo algum incentiva a violência, muito pelo contrário valoriza a vida e ensina adquirir poder com responsabilidades Como o próprio ideograma sugere, deter a violência. 
A prática é apoiada inclusive pelos próprios agentes penitenciários pois os detentos têm melhor comportamento. 
A prática regular sugere à Instituição Penitenciária a diminuição da pena do detento diminuindo a superlotação de presídios. 
Armas improvisadas 



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KFM94

Aula KFM 94

A língua no céu da boca: um pequeno detalhe, um grande impacto. Por que essa conexão é tão importante?


Existe um detalhe que passa despercebido pela maioria dos iniciantes, mas que está presente de forma natural na prática de muitos mestres e praticantes experientes: manter a língua repousando suavemente no palato, logo atrás dos dentes superiores.

À primeira vista, parece algo insignificante. No entanto, esse pequeno ajuste influencia profundamente a estrutura corporal, a respiração e, segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a circulação do Qi.

Na MTC, dois dos oito meridianos extraordinários ocupam papel central: o Du Mai (Vaso Governador) e o Ren Mai (Vaso Concepção).

O Du Mai percorre a parte posterior do corpo, ascendendo pela coluna vertebral até o topo da cabeça. O Ren Mai percorre a face anterior do corpo, estendendo-se do períneo até a região da boca. Tradicionalmente, considera-se que, ao posicionar suavemente a ponta da língua no palato, estabelece-se uma conexão entre esses dois vasos, favorecendo a continuidade da circulação do Qi pelo chamado Pequeno Circuito Celeste (Xiao Zhou Tian).

No Qi-gong, essa posição recebe o nome de "Ponte da Língua" (鹊桥 – Queqiao). A língua atua simbolicamente como uma ponte que conecta os principais canais energéticos do corpo, permitindo que o Qi cultivado no Dantian percorra o Du Mai em direção à cabeça e retorne pelo Ren Mai, formando um circuito contínuo.

Independentemente da interpretação energética, essa posição também produz efeitos mecânicos importantes. Ao repousar a língua no palato, a mandíbula tende a relaxar naturalmente, reduzindo tensões desnecessárias na face e no pescoço. Como consequência, a respiração torna-se mais calma e estável, a garganta permanece aberta e o alinhamento entre cabeça, pescoço e coluna vertebral acontece com maior facilidade.

Por isso, a língua no palato não deve ser vista como um gesto isolado. Ela faz parte de uma estrutura integrada: cabeça suspensa, coluna alinhada, ombros relaxados, mandíbula solta, respiração natural e língua posicionada corretamente.

Nas artes internas, a verdadeira evolução raramente depende de movimentos grandiosos. Ela nasce da soma de pequenos ajustes executados com precisão e consciência.

A posição da língua é um desses detalhes. Quase imperceptível aos olhos, mas capaz de transformar a qualidade da prática.

No Sistema Kung Fu Misto (KFM), valorizamos esses refinamentos porque compreendemos que a eficiência marcial e o desenvolvimento interno são construídos sobre fundamentos sólidos. Quando a estrutura está correta, o corpo trabalha com mais economia, a mente permanece mais tranquila e a prática alcança um nível de integração muito superior.

Às vezes, aquilo que parece ser apenas um pequeno detalhe é justamente o elemento que conecta todo o restante.




Condicionamento Físico 
O foco desta atividade corporal é a saúde, o tratamento de doenças, o condicionamento físico para o trabalho do dia a dia e para defesa pessoal. 
Estão incluídos no conteúdo técnico  programático duas formas de Tai Chi Chuan padronizadas e conhecidas mundialmente, a Forma de 8 posturas de Pequim e a Forma de 18 posturas da família Chen. 
Na prática física são 70 exercícios mesclados tratando articulações, tendões e órgãos internos com práticas de Chi Kung,  Lian Gong e Ba Duan Jing,  divididos em 11 Séries de 6 a 8 exercícios e a prática de cada série dura aproximadamente 5 minutos e pode ser praticado por pessoas de todas as idades. 
PRIMEIRA SÉRIE
01 - Movimento de pescoço;
02 - Arquear as mãos;
03 - Estender as palmas para cima;
04 - Expandir o peito;
05 -  Despregar as asas;
06  - Erguer o braço de ferro;
SEGUNDA SÉRIE 
07 - Empurrar o céu e inclinar para o lado;
08 - Girar a cintura e projetar a palma;
09 - Rodar a cintura com as mãos nos rins;
10 - Abrir os braços e flexionar o tronco;
11 - Espetar com a palma para o lado;
12 - Tocar os pés com as mãos;
TERCEIRA SÉRIE
13 - Girar o joelho a direita e a esquerda;
14 - Flexionar as pernas e girar o tronco;
15 - Flexionar e esticar as pernas;
16 - Tocar o joelho e levantar a palma;
17 - Abraçar o joelho contra o peito;
18 - Passos marciais;
QUARTA SÉRIE 
19 -  Flexionar as pernas e projetar as palmas;
20 - Cruzar as pernas e projetar a palma;
21 - Circular de cima para baixo;
22 - Girar o tronco e olhar para trás;
23 - Esticar o calcanhar esquerdo e direito;
24 - Chutar para os quatro lados;
QUINTA SÉRIE 
25 - Empurrar para os quatro lados;
26 - Esticar o arco e lançar a flecha;
27 - Erguer os braços e girar os punhos;
28 -  Esticar a palma e olhar a mão de gancho;
29 - Projetar o punho;
30 - Soltar os braços e girar a cintura;
SEXTA SÉRIE 
31 - Massagear o rosto e a mão;
32 - Massagear o peito e o abdômen;
33 - Pentear o cabelo girando a cintura;
34 - Levantar a palma e o Joelho oposto;
35 - Girar o tronco e inclinar frente e trás;
36 - Esticar os braços e levantar os calcanhares;
SÉTIMA SÉRIE 
37 - Respiração Natural;
38 - Expirar, Inspirar e Cultivar  o Qi;
39 - Estender as Asas e Assimilar o Qi;
40 - Avançar, Agachar e Eliminar o Qi Nocivo;
41 - Massagear o  Peito e Ordenar o  Qi;
42 - Massagear a  face e Aquecer o Qi;
OITAVA SÉRIE 
43 - Massagear a  garganta e acalmar o Qi;
44 - Massagear a   Nuca e Aliviar o Qi;
45 - Percurtir o Peito e Soltar o Qi;
46 - Levantar os braços e Expandir o Qi;
47 - Abrir o Peito e Fluir o Qi;
48 - As Palmas Fazem o Qi Circular;
NONA SÉRIE 
49 - Ligar o Qi Superior e Inferior;
50 - Girar a Cintura e Afrouxar o Qi;
51 - Inclinar Frente e Trás e Suprir o Qi;
52 - Alternar o Peso e Fortalecer o Qi;
53 - Fortalecer o Qi Correto;
54 - Levantar a Perna e Movimentar o Qi;
DÉCIMA SÉRIE
55 - Braços Soltos com Joelho a Frente;
56 - Braços Soltos e Pés Paralelos;
57 - Braços Soltos Girando sobre os Calcanhares;
58 - Circular o Cotovelo e mostrar a Palma;
59 - Cotovelo para o Centro e para o Lado;
60 - Braços Abertos Alternando o Peso; 
61 - Mover o Quadril em dois momentos;
62 - Bater duas vezes no Baixo Ventre;
DÉCIMA PRIMEIRA SÉRIE 
63 -  Sustentar o céu com as mãos;
64 - Esticar o arco e lançar a flecha;
65 - Separar o céu e a terra;
66 - Olhar os calcanhares;
67 - Balançar a cabeça e o cóccix;
68 - Segurar a ponta dos Pés;
69 - Soco com Olhar Firme;
70 - Suspender os calcanhares.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

KFM100

Aula KFM 100

Meditação marcial:

Kyusho - Os 34 Pontos Sensíveis
O Kyusho (急所) significa literalmente "ponto vital" ou "ponto sensível". No contexto das artes marciais tradicionais, refere-se ao estudo das regiões anatômicas onde um impacto, uma pressão ou uma torção podem produzir efeitos desproporcionais ao esforço empregado. Esse conhecimento está presente, em diferentes níveis, em sistemas como o Karate, Jujutsu, Aikijutsu, Kung Fu e outras artes marciais chinesas e japonesas.
No caso da formação transmitida pelo seu Sifu Guru Joaquim Almeria, o estudo dos 34 Pontos Sensíveis representa uma abordagem prática, voltada ao combate real e à compreensão da anatomia humana. O objetivo não é decorar uma lista de locais para atacar, mas compreender como a estrutura do corpo responde à pressão, ao desequilíbrio e ao controle.
O Kyusho como ciência do corpo
Um praticante experiente aprende que o corpo humano possui regiões naturalmente vulneráveis devido à presença de:
Nervos superficiais.
Plexos nervosos.
Vasos sanguíneos.
Articulações.
Tendões.
Cartilagens.
Estruturas ósseas pouco protegidas.
Quando essas regiões são atingidas, a resposta do organismo pode incluir dor intensa, perda momentânea da força, desequilíbrio, limitação funcional ou interrupção temporária de um movimento agressivo.
Por isso, o Kyusho não depende de força física excepcional. Ele depende principalmente de:
precisão;
tempo correto;
distância adequada;
posicionamento corporal;
entendimento biomecânico.
Os 34 Pontos Sensíveis
Na tradição ensinada por Sifu Guru Joaquim Almeria, os 34 pontos servem como um mapa anatômico para orientar o praticante sobre as áreas de maior vulnerabilidade do corpo humano.
Esses pontos são estudados em conjunto com:
deslocamentos;
ângulos de entrada;
controle da distância;
equilíbrio corporal;
economia de movimento.
Assim, um mesmo ponto pode produzir efeitos diferentes dependendo da direção da pressão, da intensidade aplicada e do contexto do confronto.
Integração com o Kung Fu
No Kung Fu tradicional, o Kyusho nunca foi visto como um conhecimento isolado.
Ele está integrado a princípios como:
controle da linha central;
uso da estrutura corporal;
relaxamento muscular;
geração eficiente de potência;
leitura do movimento do adversário.
No Wing Chun, por exemplo, a proximidade entre os praticantes faz com que muitos pontos vulneráveis sejam naturalmente expostos durante o combate corpo a corpo. Entretanto, a prioridade continua sendo controlar o oponente, ocupar a linha central e neutralizar sua capacidade ofensiva, em vez de buscar deliberadamente um ponto específico.
Aspecto ético
Os mestres tradicionais sempre enfatizaram que esse conhecimento exige maturidade. O verdadeiro propósito do estudo dos pontos sensíveis não é aumentar a agressividade do praticante, mas desenvolver maior compreensão da fragilidade do corpo humano e da responsabilidade envolvida no uso da força.
Quem conhece profundamente o Kyusho tende a evitar confrontos desnecessários, pois compreende que pequenas ações podem produzir consequências significativas.
Legado de Sifu Guru Joaquim Almeria
Receber esse ensinamento diretamente de Sifu Guru Joaquim Almeria, que reunia a experiência de médico e mestre de artes marciais, representa uma combinação particularmente valiosa. Sua formação permitia relacionar os conhecimentos tradicionais do Kung Fu com a anatomia, a fisiologia e a biomecânica, oferecendo uma compreensão fundamentada do funcionamento do corpo humano.
Essa integração entre ciência médica e tradição marcial reforça um princípio essencial do Kung Fu: o verdadeiro domínio não consiste em causar mais dano, mas em compreender o corpo, controlar a própria técnica e agir com discernimento. O estudo dos 34 Pontos Sensíveis deve ser encarado como parte dessa formação ampla, voltada ao aperfeiçoamento técnico, ao autocontrole e ao uso responsável do conhecimento marcial.



HORMÔNIO IRISINA
Estudo brasileiro encontra hormônio com potencial terapêutico
Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sugere que a irisina, um hormônio liberado pelos músculos durante a atividade física, pode ter um efeito terapêutico em casos de Covid-19.
A pesquisa foi feita com testes in vitro, em uma linhagem de adipócitos subcutâneos humanos – células do tecido adiposo que armazenam gordura, em uma camada abaixo da pele. Os cientistas observaram que a irisina tem um efeito modulador nos genes associados à replicação do vírus no corpo humano.
Antes de tudo, precisamos entender o que é a irisina. A irisina é um hormônio normalmente produzido de forma endógena durante o exercício físico contínuo. Ela é conhecida principalmente pela função de modificação metabólica do tecido adiposo branco – que armazena lipídios, triglicerídeos, acumula gordura e pode vir a inflamar -, cuja função é parecida com a do tecido adiposo marrom. Esse processo favorece o gasto de energia, tornando a irisina um agente endógeno terapêutico para doenças metabólicas, como a obesidade. Além disso, o hormônio tem propriedades anti-inflamatórias.
Miriane de Oliveira, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (SP), contou que os resultados do estudo, publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology, representa um sinal positivo para a busca por novos tratamentos contra o coronavírus. No entanto, ela ressalta que os dados ainda são preliminares.
Hormônio produzido durante atividade física pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19.
“É uma sugestão do potencial terapêutico da irisina para casos de Covid-19”, explicou a cientista. “Estamos indicando um caminho de pesquisa para comprovar ou não o efeito benéfico do hormônio em pacientes infectados”.
O artigo descreve dados gerados no projeto de pós-doutorado de Miriane, focado em analisar a ação da irisina e de hormônios da tireoide nos adipócitos. A pesquisa teve o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Com o início da pandemia, os pesquisadores decidiram investigar os efeitos da irisina em genes relacionados à replicação do vírus Sars-Cov-2. Utilizando técnicas de sequenciamento genético, eles identificaram 14.857 genes expressos em uma linhagem de adipócitos subcutâneos. Os cientistas perceberam que vários genes tiveram sua expressão alterada ao serem tratados com irisina.
A principal descoberta tem a ver com genes reguladores. A irisina alterou a expressão de reguladores do ACE2, responsável por codificar uma proteína à qual o vírus se liga para entrar nas células humanas. Além disso, o hormônio também triplicou o TRIB3, um gene fundamental para a proteção dos indivíduos. Estudos anteriores mostraram que a quantidade desse gene diminui com o tempo, sendo menor em idosos. Isso pode ter relação com a maior vulnerabilidade desse grupo ao novo coronavírus.
Esse estudo da Unesp não avaliou a atividade física, mas pesquisas anteriores sugeriram que pessoas fisicamente ativas apresentariam sintomais mais leves de Covid-19. O exercício físico funciona como modulador imunológico.
#克劳德米尔