Aula KFM 100
Meditação marcial:
Kyusho - Os 34 Pontos Sensíveis
O Kyusho (急所) significa literalmente "ponto vital" ou "ponto sensível". No contexto das artes marciais tradicionais, refere-se ao estudo das regiões anatômicas onde um impacto, uma pressão ou uma torção podem produzir efeitos desproporcionais ao esforço empregado. Esse conhecimento está presente, em diferentes níveis, em sistemas como o Karate, Jujutsu, Aikijutsu, Kung Fu e outras artes marciais chinesas e japonesas.
No caso da formação transmitida pelo seu Sifu Guru Joaquim Almeria, o estudo dos 34 Pontos Sensíveis representa uma abordagem prática, voltada ao combate real e à compreensão da anatomia humana. O objetivo não é decorar uma lista de locais para atacar, mas compreender como a estrutura do corpo responde à pressão, ao desequilíbrio e ao controle.
O Kyusho como ciência do corpo
Um praticante experiente aprende que o corpo humano possui regiões naturalmente vulneráveis devido à presença de:
Nervos superficiais.
Plexos nervosos.
Vasos sanguíneos.
Articulações.
Tendões.
Cartilagens.
Estruturas ósseas pouco protegidas.
Quando essas regiões são atingidas, a resposta do organismo pode incluir dor intensa, perda momentânea da força, desequilíbrio, limitação funcional ou interrupção temporária de um movimento agressivo.
Por isso, o Kyusho não depende de força física excepcional. Ele depende principalmente de:
precisão;
tempo correto;
distância adequada;
posicionamento corporal;
entendimento biomecânico.
Os 34 Pontos Sensíveis
Na tradição ensinada por Sifu Guru Joaquim Almeria, os 34 pontos servem como um mapa anatômico para orientar o praticante sobre as áreas de maior vulnerabilidade do corpo humano.
Esses pontos são estudados em conjunto com:
deslocamentos;
ângulos de entrada;
controle da distância;
equilíbrio corporal;
economia de movimento.
Assim, um mesmo ponto pode produzir efeitos diferentes dependendo da direção da pressão, da intensidade aplicada e do contexto do confronto.
Integração com o Kung Fu
No Kung Fu tradicional, o Kyusho nunca foi visto como um conhecimento isolado.
Ele está integrado a princípios como:
controle da linha central;
uso da estrutura corporal;
relaxamento muscular;
geração eficiente de potência;
leitura do movimento do adversário.
No Wing Chun, por exemplo, a proximidade entre os praticantes faz com que muitos pontos vulneráveis sejam naturalmente expostos durante o combate corpo a corpo. Entretanto, a prioridade continua sendo controlar o oponente, ocupar a linha central e neutralizar sua capacidade ofensiva, em vez de buscar deliberadamente um ponto específico.
Aspecto ético
Os mestres tradicionais sempre enfatizaram que esse conhecimento exige maturidade. O verdadeiro propósito do estudo dos pontos sensíveis não é aumentar a agressividade do praticante, mas desenvolver maior compreensão da fragilidade do corpo humano e da responsabilidade envolvida no uso da força.
Quem conhece profundamente o Kyusho tende a evitar confrontos desnecessários, pois compreende que pequenas ações podem produzir consequências significativas.
Legado de Sifu Guru Joaquim Almeria
Receber esse ensinamento diretamente de Sifu Guru Joaquim Almeria, que reunia a experiência de médico e mestre de artes marciais, representa uma combinação particularmente valiosa. Sua formação permitia relacionar os conhecimentos tradicionais do Kung Fu com a anatomia, a fisiologia e a biomecânica, oferecendo uma compreensão fundamentada do funcionamento do corpo humano.
Essa integração entre ciência médica e tradição marcial reforça um princípio essencial do Kung Fu: o verdadeiro domínio não consiste em causar mais dano, mas em compreender o corpo, controlar a própria técnica e agir com discernimento. O estudo dos 34 Pontos Sensíveis deve ser encarado como parte dessa formação ampla, voltada ao aperfeiçoamento técnico, ao autocontrole e ao uso responsável do conhecimento marcial.
HORMÔNIO IRISINA
Estudo brasileiro encontra hormônio com potencial terapêutico
Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sugere que a irisina, um hormônio liberado pelos músculos durante a atividade física, pode ter um efeito terapêutico em casos de Covid-19.
A pesquisa foi feita com testes in vitro, em uma linhagem de adipócitos subcutâneos humanos – células do tecido adiposo que armazenam gordura, em uma camada abaixo da pele. Os cientistas observaram que a irisina tem um efeito modulador nos genes associados à replicação do vírus no corpo humano.
Antes de tudo, precisamos entender o que é a irisina. A irisina é um hormônio normalmente produzido de forma endógena durante o exercício físico contínuo. Ela é conhecida principalmente pela função de modificação metabólica do tecido adiposo branco – que armazena lipídios, triglicerídeos, acumula gordura e pode vir a inflamar -, cuja função é parecida com a do tecido adiposo marrom. Esse processo favorece o gasto de energia, tornando a irisina um agente endógeno terapêutico para doenças metabólicas, como a obesidade. Além disso, o hormônio tem propriedades anti-inflamatórias.
Miriane de Oliveira, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu (SP), contou que os resultados do estudo, publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology, representa um sinal positivo para a busca por novos tratamentos contra o coronavírus. No entanto, ela ressalta que os dados ainda são preliminares.
Hormônio produzido durante atividade física pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19.
“É uma sugestão do potencial terapêutico da irisina para casos de Covid-19”, explicou a cientista. “Estamos indicando um caminho de pesquisa para comprovar ou não o efeito benéfico do hormônio em pacientes infectados”.
O artigo descreve dados gerados no projeto de pós-doutorado de Miriane, focado em analisar a ação da irisina e de hormônios da tireoide nos adipócitos. A pesquisa teve o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Com o início da pandemia, os pesquisadores decidiram investigar os efeitos da irisina em genes relacionados à replicação do vírus Sars-Cov-2. Utilizando técnicas de sequenciamento genético, eles identificaram 14.857 genes expressos em uma linhagem de adipócitos subcutâneos. Os cientistas perceberam que vários genes tiveram sua expressão alterada ao serem tratados com irisina.
A principal descoberta tem a ver com genes reguladores. A irisina alterou a expressão de reguladores do ACE2, responsável por codificar uma proteína à qual o vírus se liga para entrar nas células humanas. Além disso, o hormônio também triplicou o TRIB3, um gene fundamental para a proteção dos indivíduos. Estudos anteriores mostraram que a quantidade desse gene diminui com o tempo, sendo menor em idosos. Isso pode ter relação com a maior vulnerabilidade desse grupo ao novo coronavírus.
Esse estudo da Unesp não avaliou a atividade física, mas pesquisas anteriores sugeriram que pessoas fisicamente ativas apresentariam sintomais mais leves de Covid-19. O exercício físico funciona como modulador imunológico.
#克劳德米尔