Meditação marcial:
Provação refina técnica e caráter.
"Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata"
(Salmos 66:10 - Bíblia Sagrada)
4.Olhar o Alvo
Coordenada com a teoria da Linha Central é uma outra forte teoria denominada “target enfrentando”. Isto significa manter-se focado em seu adversário a partir de uma distância igual de ambos os lados. Ter ambos os lados a uma mesma distância do oponente significa possuir igual energia e oportunidade para lutar. Entretanto, se você lutar com apenas um lado, o outro ficará inutilizado. Quando ambos os lados ocupam a Linha Central, seu oponente obrigado a lutar em voltas de você.
A – POSTURA ANTERIOR: Esta é uma postura mais eficiente do Wing Chun e funciona como “mirar o alvo”. Possui os ombros nivelados e numa posição dependente. 80% do peso corporal está na perna de trás, enquanto que o frontal suporta apenas seu próprio peso. A perna de trás funciona como o apoio central de um compasso enquanto a perna da frente serve para o alcance e é usada como o apoio externo do compasso. A perna da frente pode facilmente mover-se ou redirecionar para seguir com o alvo num movimento de pivô com o calcanhar da perna de trás. Na postura anterior pode-se mudar o ângulo de combate com pouco esforço ou movimento.
B –PERSEGUINDO O ALVO EM “BIC BO”: Este é um movimento muito eficiente de avanço. A caça ao oponente na postura de “Bic Bo” pode ser iniciada a partir da postura lateral ou da postura anterior. Avance um passo com a perna da frente e imediatamente a seguir mova também o pé de trás na mesma distância. “Bic Bo” pode ser inúmeras vezes de uma maneira suave. A vantagem da postura “Bic Bo” é eliminar a troca de peso corporal e movimentos da parte superior do corpo. Por causa da eliminação de movimentos indesejados, você não precisa se preocupar com balanço (equilíbrio). Isto resulta em movimentos mais rápidos e diretos.
Aplicar as 8 teorias originais do Wing Chun na vida cotidiana, no trabalho e nos negócios é transformar uma arte marcial em um sistema filosófico e estratégico de alto rendimento pessoal.
Cada teoria pode ser utilizada de forma prática e profunda fora do combate físico, para aprimorar seu comportamento, suas decisões e suas relações interpessoais e profissionais.
4. Olhar o Alvo – Visão Estratégica e Postura Ativa
Aplicação prática:
Na vida pessoal: Mantenha sempre o foco no que importa. Não deixe que ruídos emocionais ou distrações alterem sua trajetória.
No trabalho: Trabalhe de forma estratégica. Avalie o que está à sua frente com “ambos os ombros nivelados”, ou seja, equilíbrio emocional e racional.
Nos negócios: Esteja sempre ajustando sua postura de ataque ou defesa, conforme a movimentação do “alvo” (mercado, cliente, concorrência).
Exemplo prático:
Mude de estratégia sem perder o foco do seu objetivo. Use o princípio do Bic Bo (passo que persegue) para avançar constante e silenciosamente em direção à meta.
Miyamoto Musashi: Buscando eficiência
Quando a estratégia vence a forma
Sasaki Kojir ō era um samurai exemplar. Elegante, disciplinado e exato. Sua técnica de corte - chamada Tsubame Gaeshi - era tão rápida quanto letal. Os seus seguidores admiravam-no pela sua rigidez moral, pela sua gracitude marcial e pela sua devoção à forma perfeita. Tudo nele era ordem e previsibilidade. Foi precisamente isso que o condenou.
Do outro lado estava Miyamoto Musashi. Caminhando, solitário, implacável. Um guerreiro que transcendeu a técnica para se dedicar ao estudo da estratégia como arte superior. Sua vida não foi dedicada a repetir maneiras, mas a decifrar pessoas. E Kojiro, com todo o seu rigor, era um livro aberto.
O duelo foi combinado com honra: Ilha de Ganry ū, ao amanhecer. Sasaki chegou pontual, impecável, com sua lendária espada Monohoshizao, mais longa que uma Katana comum. Esperou. O sol subiu. A tensão estava crescendo. Musashi apareceu duas horas atrasado, num barco, desarrumado, supostamente acabado de acordar. Tinha esquecido sua espada — disse ele — e esculpiu um remo no caminho para substituí-la. Tudo isto foi calculado.
Sasaki explodiu em raiva. Seu julgamento nublado, seu corpo tenso. Musashi, em vez disso, estava calmo. Tinha estudado tudo: a impaciência de Kojiro, a sua dependência da forma, a direção do sol. Posicionou-se com a luz nas costas dele. Esperou. Quando Kojiro lançou sua técnica, Musashi deu um passo e executou o golpe final. O remo, mais longo que a espada, atingiu o crânio. O duelo acabou antes de começar.
Este momento não foi uma armadilha. Foi estratégia na sua forma mais pura. O combate não se ganha apenas com técnica, nem com perfeição externa, nem com rigidez mental. Você ganha com inteligência, flexibilidade e compreensão profunda do momento. Morihei Ueshiba chamaria a isto Takemusu Aiki: a espontaneidade criativa nascida do verdadeiro treino.
A história de Musashi e Kojiro não é um conto de heróis e vilões. É uma lição de Budo. Quem se agarra ao jeito, cai com ela. Quem flui vence.
Você está treinando para repetir maneiras... ou para aprender a resolver?
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