sexta-feira, 30 de outubro de 2020

KFM99

Aula KFM 99

Meditação marcial:

Rápido ou lento? Existe uma velocidade "correta" para a forma no Tai Chi Chuan?
No Sistema KFM, adotamos uma metodologia progressiva. Durante os três primeiros meses, a prática é realizada predominantemente de forma lenta. Esse período é dedicado à construção dos alicerces: postura, alinhamento corporal, equilíbrio, coordenação, consciência do movimento e eliminação de tensões desnecessárias. Após essa fase, passamos a alternar movimentos lentos e rápidos, preparando o praticante para responder com eficiência às diferentes exigências do combate e do treinamento marcial.

Existe uma ideia bastante difundida de que o Tai Chi Chuan deve ser praticado sempre de forma lenta, como se essa fosse sua principal característica. Embora a lentidão seja uma ferramenta extremamente valiosa, ela não representa toda a essência da arte. A tradição demonstra que essa visão é incompleta.

Os textos clássicos e as escolas tradicionais descrevem o Tai Chi Chuan como uma prática baseada em movimentos relaxados, contínuos e circulares, sincronizados com a respiração e com o cultivo da mente. Entretanto, esses mesmos princípios deixam claro que a arte busca o equilíbrio entre o lento e o rápido. A fluidez é permanente; a velocidade varia conforme o objetivo do treinamento.

O estilo Chen, considerado a mais antiga linhagem preservada do Tai Chi Chuan, evidencia esse princípio de forma marcante. Suas sequências alternam movimentos lentos e suaves com explosões repentinas de energia (Fa Jin), demonstrando que a mudança de ritmo faz parte da própria natureza da arte. Não existe uma velocidade uniforme durante toda a forma; existe adaptação.

Nas demais linhagens, como o estilo Yang, a execução tornou-se amplamente conhecida por sua cadência mais lenta e contínua, especialmente por seus benefícios à saúde e ao desenvolvimento do controle corporal. Ainda assim, isso não significa que a velocidade lenta seja a única forma legítima de treinamento.

Praticantes experientes compreendem que a velocidade nunca é um fim em si mesma. Ela é uma ferramenta pedagógica.

Treinar lentamente permite perceber detalhes que a velocidade costuma esconder. Torna possível corrigir o alinhamento, estabilizar a estrutura corporal, desenvolver o equilíbrio, sincronizar a respiração, aprimorar a consciência corporal e fortalecer as conexões internas que produzem uma força eficiente. A lentidão revela imperfeições e oferece tempo para corrigi-las antes que se transformem em hábitos.

Por outro lado, o treinamento rápido desenvolve atributos igualmente indispensáveis. Aperfeiçoa a capacidade de reação, a coordenação dinâmica, o controle da potência, a precisão sob pressão, a emissão explosiva de energia e a adaptação às exigências reais do combate. Um praticante que domina apenas a lentidão possui um treinamento incompleto; da mesma forma, aquele que busca apenas velocidade constrói uma técnica sem fundamentos sólidos.

Por essa razão, no Sistema KFM, a lentidão é utilizada como um método de construção, e não como um objetivo permanente. Primeiro desenvolvemos uma estrutura eficiente; depois ensinamos essa estrutura a mover-se com velocidade sem perder estabilidade, precisão e economia de movimento.

Os antigos mestres utilizavam imagens para transmitir esse conceito. O corpo deve fluir "como um grande rio", contínuo e sereno, mas a emissão de energia pode surgir "como um trovão", súbita, precisa e irresistível. Não existe contradição entre essas ideias. Existe apenas a compreensão de que cada ritmo possui sua função.

Em síntese, não existe uma única velocidade correta para a forma do Tai Chi Chuan. Existem velocidades diferentes para objetivos diferentes. A prática lenta desenvolve consciência, estrutura e controle. A prática rápida desenvolve eficiência, potência e capacidade de resposta.

A verdadeira maestria não está em mover-se sempre devagar ou sempre rápido, mas em dominar ambos os ritmos e utilizá-los no momento certo. Afinal, a fluidez é a essência do Tai Chi Chuan; a velocidade é apenas uma variável a serviço do propósito.



Depressão

A medicina chinesa trabalha com o tratamento e a cura da causa e não dos sintomas. O Tai Chi Chuan praticado de forma regular tem a capacidade de melhorar o humor e fazer com que o sentimento de tristeza e o estresse diminuam combatendo dessa forma alguns efeitos ou sintomas da DEPRESSÃO,  mas não a causa. Seria o mesmo que combater uma febre sem descobrir e tratar a causa do estado febril.

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